Tratamento das veias e telangiectasias da face, colo, mama e mãos

 

Charles Esteves Pereira
Cirurgião Vascular e Endovascular
Especialista em Cirurgia Vascular com habilitação em Ecografia Vascular com Doppler
e Cirurgia Endovascular pela SBACV/CBR
Membro titular da SBACV
Membro do American Vein and Lymphatic Society
Membro do European Venous Forum
Membro do College of Phlebology of London
Coordenador do Curso Master em Flebologia Estética
Diretor da Clínica Charles Esteves – Medicina Vascular em Goiânia – GO

Tratamento das veias e telangiectasias da face, colo, mama e mãos
VEIAS DA FACE
Veias da face podem adquirir aspecto inestético em pessoas de pele muito clara, após
tratamentos repetidos de “peeling e lasers ablativos e em decorrência da idade com atrofia
da pele, subcutâneo e musculatura. Além disso, alterações emocionais, como um sorriso
ou raiva podem tornar estas veias mais dilatadas e visíveis. Variações posturais podem
dilatar (deitar, elevar os membros) ou colabar (ficar de pé ou sentado) deixando um sulco
no trajeto das veias. No mundo moderno, com a disseminação das “selfies”, observamos
uma procura crescente de pacientes queixando-se dessas veias proeminentes.
As veias mais frequentemente observadas são as veias temporais, veias da região
periorbitária, veias laterais da face e veias supraorbitárias.

Anatomia
Shimizu Y et al1

em disseção de 15 cadáveres detectaram uma veia em alça que contorna
cada órbita, formada pela veia transversa superior da órbita, veia angular e veia facial,
localizadas abaixo dos músculos sendo consideradas veias profundas. A veia angular
apresenta uma conexão profunda com veia oftálmica e uma conexão superficial
denominada “veia transversa da raiz nasal” que cruza anteriormente no dorso nasal para
comunicar-se com a veia angular do outro lado. Além disso, descreve a presença de uma
ou duas “grandes veias ascendentes” presentes na região central da fronte, em plano mais
superficial que recebem fluxo de uma rede de veias subdérmicas. As “grandes veias
ascendentes” drenam na “veia transversa da raiz nasal” em 77%, nas “veias angulares”
em 20% e um misto (veia transversa da raiz nasal e veia angular unilateral) em 3,3%. Em

53% observaram a união das duas “grandes veias ascendentes” formando um tronco único
no centro da fronte, em 40% são separadas e independentes.
As “grandes veias ascendentes” perfuram o músculo prócero e seguem trajeto cranial em
direção à gálea. Esta descrição anatômica explica a razão pela qual estas veias podem se
tornar bastante dilatadas durante a expressão de um grande sorriso para uma “selfie” ou
em um momento de raiva. Explica também a melhora deste “sintoma” com a aplicação
de toxina botulínica.
Onishi S. et al2

em dissecção de 12 cadáveres relatam em 70% dos casos a mesma veia
em alça contornando as órbitas formada pelas veias facial, veia angular, veia transversa
superior da órbita (ou supratroclear) e veia temporal superficial. Estas veias recebem
comunicantes do plexo subdérmico e drenam para veias profundas através de várias
comunicantes sendo 3 principais: uma comunicante para veia oftálmica no canto medial
do olho, comunicante zigomaticotemporal no canto lateral do olho e comunicante para
veia temporal média.
Cabe relatar a grande importância da veia comunicante entre a veia angular e veia
oftálmica, bem como as artérias adjacentes, justificando as ocorrências de complicações
oculares, inclusive cegueira, decorrentes de injeções no território denominado “triângulo
nasal”

Tratamento
Opções terapêuticas para veias inestéticas da face incluem a escleroterapia,
miniflebectomias e LASER.

A escleroterapia é relatada com resultados razoáveis em mãos experientes. Bowes LE e
Goldman MP 3

realizaram escleroterapia em 14 pacientes em 20 pontos na face incluindo
vasos de 0,3 e 3 mm utilizando uma associação de glicose 25%, cloreto de sódio 10% e
fenetil álcool 8% (Sclerodex) na região periorbital, têmporas, nariz, bochechas e lábio
superior e utilizaram polidocanol 0,5 – 0,75% em telangiectasias no nariz e bochechas,
com volumes injetados variando de 0,3 – 2,0 mL com resolução média de 67 – 75%, onde
um caso de falha necessitou flebectomia. Não houve complicações significativas.
Entretanto, os vários relatos de complicações vasculares e oculares catastróficas após
injeções cosméticas na face4,5 recomendandam cautela, sendo de bom alvitre evitar a
escleroterapia nas regiões de risco, incluindo as regiões periorbitárias, temporais e do
triângulo nasal.

Miniflebectomias são relatadas em trabalhos antigos referindo bons resultados em veias
periorbitárias e temporais, mas com risco aumentado de hematomas e edema, além de
cicatrizes indesejáveis.
No momento atual, temos obtido excelentes resultados com o LASER Nd:YAG 1064
“Long Pulse”. Utilizamos o equipamento Etherea MX (Vydence Medical) com spot
size 6 mm, fluência de 80-90 J/cm2

e tempo de pulso de 30-40 ms em 15 pacientes do
sexo feminino e 4 do sexo masculino associando o resfriamento ativo com jato de ar
gelado com equipamento Siberian Fit (Vydence Medical) com máximo de 3 passagens
em cada sessão para tratamento das veias periorbitárias e temporais. Obtemos
desaparecimento de 70% das veias em uma sessão, 80% em duas sessões e 100% em 3
sessões com intervalo de 30 dias.
PROTOCOLO SUGERIDO PARA VEIAS RETICULARES DA FACE
LASER Nd:YAG 1064 nm Long Pulse + RESFRIAMENTO SEMPRE
SPOT FLUENCIA TEMPO DE PULSO
4 – 6 MM 80 – 90 J/CM2 30 – 40 mseg
UMA A TRÊS PASSAGENS COM INTERVALO DE 1 MINUTO ENTRE AS
PASSAGENS

Nas figuras 1-3 observamos o resultado de um tratamento de veia periorbital em homem,
pele tipo III, com resolução em duas sessões com intervalo de 30 dias. LASER Nd:YAG
1064 nm, spot 6 mm, Fluência de 80 J/cm2

e tempo de pulso de 40 mseg e resfriamento

com jato de ar gelado. Uma passagem em cada sessão.
Nas figuras 4-7 observamos o resultado de um tratamento de veias temporais e
periorbitárias em mulher, pele tipo III a IV, com resolução em duas sessões com intervalo
de 30 dias. LASER Nd:YAG 1064 nm, spot 6 mm, Fluência de 80 J/cm2 e tempo de pulso
de 40 mseg e resfriamento com jato de ar gelado. Duas passagens na primeira sessão e
uma passagem na segunda.

A “grande veia ascendente” da fronte é o nosso maior desafio. Realizamos em 4 anos o
tratamento de 18 pacientes (17 feminino e 1 masculino, idades variando de 30 a 72 anos)
com proeminência desta veia. Avaliamos todos os casos com ultrassom Doppler e
mapeamos com equipamento de infravermelho VeinViewer. Esta veia localiza-se em
profundidade média de 2 mm com calibres variando de 2 a 3,2 mm com manobras

específicas tipo Valsalva. Em todos os casos indicamos 3 sessões em período máximo de
7 dias. Em cada sessão realizamos 9 passagens sobre as veias, sendo 3 passagens com
ponteira perpendicular, 3 passagens com ponteira oblíqua à direita e 3 passagens com
ponteira oblíqua à esquerda da veia, objetivando atingir todas as paredes. Spot 6 mm,
fluência de 80-90 J/cm2

e tempo de pulso de 30-40 ms. Obtivemos oclusão destas veias
em 5 pacientes. Nos 13 pacientes restantes com falha no tratamento, recomendamos 30
dias de descanso e programamos o tratamento com LASER endovenoso com fechamento
completo. Esta técnica está a ser publicada em breve.
Eremia e Li7

em 2002 foram os primeiros a relatar a experiência com LASER Nd:YAG
1064 em 8 pacientes com veias periorbitárias e resfriamento com spray gelado. Seus
parâmetros foram fluência de 125-150 J/cm2

, spot 6 mm e tempo de pulso de 75-100 mseg
com resolução de 100%. Chauan e Ellis8 utilizaram equipamento Cutera, spot size 5-7
mm, Fluência de 100-120 J/cm2

e duração de pulso de 20-25 mseg para tratar veias
periorbitárias, temporais e da fronte em 12 pacientes com até 3 sessões em intervalos de
30 dias com excelentes resultados. Goldman A et al9

relatam a durabilidade dos resultados
após 8 anos em um caso utilizando equipamento Deka Laser, spot 4 mm, Fluência de
100-125 J/cm2

e tempo de pulso de 3-15 mseg.

Figuras 8, 9 e 10 mostram anatomia e variações da “grande veia ascendente” da fronte
que se torna abaulada e evidente durante atividade física, estresse e ao sorrir, por
contração do músculo prócero.

TELANGIECTASIAS DA FACE E NARIZ

Telangiectasias da face afetam dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Os
fatores predisponentes ao seu desenvolvimento na face e nariz incluem pele com fototipos
I a III, história de significativa exposição solar, uso de anticoncepcionais, esteroides
tópicos, rosácea e outros como a telangiectasia hereditária hemorrágica.
Os tratamentos iniciais incluem a escleroterapia e radiofrequência, mas atualmente o
tratamento com uma variedade de LASERS e Luz Intensa Pulsada dominam o mercado.
As telangiectasias da face e nariz têm a peculiaridade de terem como cromóforo principal
a oxihemoglobina onde o maior pico de absorção está na banda azul-verde-amarelo
variando de 418, 543 e 577 nm (pico ). Há ainda um pico menor entre 700 e 1100 nm

(pico ). Observamos aqui que quanto menor o comprimento de onda, menor a penetração
do LASER e que a grande afinidade pela hemoglobina se acompanha de grande afinidade
pela melanina favorecendo o aparecimento de crostas, escaras e púrpura, principalmente
em pacientes com Fitzpatrick elevados. O LASER Nd:YAG 1064 tem maior penetração
que os LASERS de pico  e , com menor afinidade pela melanina e tem mostrado
excelentes resultados em veias reticulares e telangiectasias da face.

LASER de frequência dobrada KTP 532 nm, verde atinge o pico  com ótimos resultados
para telangiectasias superficiais em pacientes de pele clara (Fitzpatrick I-III).

LASER de corante pulsado (PDL “pulsed dye LASER”) de 585-600 nm é considerado o
melhor equipamento para tratamento de malformações capilares tipo “manchas vinho do
porto” e micro-telangiectasias da face, frequentes na rosácea. Os principais
inconvenientes dos LASERS de corante são o aparecimento de púrpura e o risco de lesão
epidérmica em pacientes com Fitzpatrick maior que III . Equipamentos mais modernos
trabalham com tempos de pulsos mais longos, múltiplos subpulsos, associando o
resfriamento cutâneo e múltiplas passagens com fluências menores minimizando as
púrpuras e lesões cutâneas.

Equipamentos de Luz Intensa Pulsada (LIP) também podem ser utilizados para eliminar
telangiectasias da face e nariz além de bons resultados em poiquiloderma, lesões
pigmentares e rejuvenescimento10

. Estudos mostram redução de 50-75% das
telangiectasias em 50-70% dos pacientes tratados. Estes equipamentos possuem filtros
que bloqueiam comprimentos de onda menores, mas deixam passar comprimentos de
onda maiores. A interface ponteira-paciente é realizada com cristal de safira com
resfriamento ativo, seguindo as orientações do fabricante. No caso da LIP, trabalhamos
com filtros de 540 nm para fototipos I-III e 580 nm para fototipos maiores com
equipamento Etherea MX. Esses comprimentos de onda têm boa afinidade tanto para
hemoglobina quanto a melanina e por não serem específicos, aumentam a chance de
púrpura e queimaduras. O tempo de pulso e fluência devem ser cuidadosamente ajustados,
sendo prudente iniciar com tempos de pulsos maiores e fluências menores que os
recomendados pelo fabricante, minimizando as chances de queimaduras, até se adquirir
experiência com o equipamento. Pontas vasculares menores são mais específicas para

pequenas telangiectasias e protegem as áreas adjacentes. O intervalo de sessões
recomendado é de 30 dias.
O LASER Nd:YAG 1064 nm Long Pulse atua no menor pico de absorção de
hemoglobina, na faixa próxima do infra-vermelho (700-1100 nm) com penetração de até
6 mm quando utilizado em milissegundos11, sendo uma opção bastante utilizada para
eliminar telangiectasias da face e nariz. Eremia e Li7

e Sarradet DM et al14 obtiveram uma
melhora de 75-80% dos vasos tratados em período de até 3 meses. Kwon WJ et al12
compararam tratamentos de telangiectasias do nariz associadas a rosácea com LASER
Nd:YAG 1064 nm e Pulsed Dye Laser 532 nm com resultados excelentes para ambos,
sendo que o Nd:YAG foi melhor para telangiectasias mais calibrosas e dilatadas e PDL
melhor para hiperemia com telangiectasias moderadas.
A versatilidade do LASER Nd:YAG Long Pulse se justifica por possuir boa afinidade
pela hemoglobina, boa penetração e afinidade menor pela melanina, reduzindo o risco de
lesão de pele. Além disso, apresenta excelente ação em veias reticulares da face, muitas
vezes fonte das telangiectasias. Utilizamos spots de 2-3 mm, tempo de pulso de 15-30
mseg e fluência de 150-200 J/cm2

em telangiectasias mais avermelhadas ou azuladas,
aumentando a fluência para 215-275 J/cm2 em telangiectasias mais finas e com menos
cromóforo, sempre resfriando muito bem a pele.
Rose e Goldberg13

estudaram a eficácia do LASER Nd:YAG Long Pulse micropulsado
(microssegundos) explorando a vantagem de ser menos doloroso e com menor risco de
efeitos colaterais em relação ao tradicional Nd:YAG em milissegundos. Utilizaram
equipamento com se pot 2 mm, tempo de pulso de 0,6 mseg e fluência de 191 J/cm2
em 20
pacientes em duas sessões com intervalo de 30 dias com clareamento significativo em
85% dos pacientes
Nas figuras 11 e 12 observamos telangiectasias laterais na face associadas a veias
reticulares. O tratamento foi realizado em duas sessões com intervalo de 30 dias
utilizando-se Laser Nd:YAG 1064 nm Long Pulse iniciando-se com spot 6 mm, fluência
80 J/cm2 e tempo de pulso de 20 mseg e resfriamento cutâneo. Após “varredura”de todos
os vasos, tratamos as telangiectasias residuais substituindo por spot 3 mm, fluência 150-
175 J/cm2
e tempo de pulso de 15 mseg.

Nas figuras 13 a 15 trazemos um caso de telangiectasia hereditária hemorrágica resolvida
com uma sessão de Laser Nd:YAG 1064 Long Pulse, spot 3 mm, fluência 150-175 J/cm2
e tempo de pulso de 15 mseg.

As telangiectasias do nariz são tão frequentes quanto às da face. Os detalhes para o seu
tratamento são a comunicação com vasos do “triângulo nasal” que se conectam com a
circulação intracraniana colocando em risco qualquer procedimento de injeção

intravascular e a presença da cartilagem nasal subjacente que pode ser atingida usando-
se comprimentos de onda e spots maiores.

Lasers com comprimentos de onda menores com grande afinidade pela hemoglobina
apresentam bons resultados, bem como Luz Intensa Pulsada com filtros de 540 e 580 nm
e “tips vasculares”.
O Laser Nd:YAG 1064 nm também apresenta ótimos resultados para telangiectasias do
nariz. Ressalva-se o cuidado especial em utilizar spots de 2 a 4 mm que penetram pouco
diminuindo o risco de lesão da cartilagem nasal. Recomendamos spot 3 mm, fluência de
150 – 200 J/cm2

e tempo de pulso de 15 a 20 mseg com intenso resfriamento.

Kwon WJ et al15 realizaram estudo comparativo do tratamento das telangiectasias nasais
provocadas pela rosácea com Laser Nd:YAG Long Pulse e Laser de Corante Pulsado
(PDL). A rosácea caracteriza-se por causar eritema e telangiectasias. Os resultados foram
semelhantes para telangiectasias e o PDL apresentou melhor resultado para o eritema.
Nas figuras 16 a 19 apresentamos um caso de telangiectasias da face e nariz tratadas com
uma sessão de Laser Nd:YAG 1064, spot 3 mm, tempo de pulso 15 mseg e fluência de
150-175 Joules/cm2

e resfriamento com jato de ar gelado.

VEIAS DO COLO E MAMA
A idade, exposição solar, peles mais claras, hipotrofia do subcutâneo e musculatura, uso
de estrogênios, gravidez, cirrose e o implante de próteses de mama são fatores que
contribuem para deixar veias destas regiões mais visíveis e com aspecto inestético16
.
Telangiectasias cutâneas estão presentes nos casos de poiquilodermia, telangiectasia
essencial progressiva, telangiectasia essencial generalizada, síndrome nevoide
telangiectásica, telangiectasia hemorrágica hereditária entre outras16
.

Bowes e Goldman16 utilizaram a escleroterapia em três pacientes utilizando polidocanol
0,75%, STS 0,5% e 0,25%. Obtiveram resolução completa das veias reticulares. Em um
caso de telangiectasias de mama após implante tiveram como complicação uma extensa
necrose que culminou na retirada da prótese para facilitar o fechamento.
Em 2015 Friedman e Goldman17 realizaram escleroterapia com espuma de Sotradecil
Sulfato (STS) 0,25 e 0,5% com resolução moderada a completa e grande satisfação dos
pacientes sem eventos adversos maiores.

Em relação às veias reticulares do colo e mama temos experiência e excelentes resultados
com a associação da escleroterapia líquida e LASER transdérmico Nd:YAG 1064 nm.
Nossa preferência é iniciar com escleroterapia líquida ampliada onde associamos agente
osmolar Glicose 50% (10 ml) com agente detergente Polidocanol 3% (0,5 ml) ou Oleato
de Etanolamina 5% (0,5 ml) e anestésico Lidocaína 2% sem vasoconstritor (1 ml). Após
completar a injeção da solução esclerosante nas veias reticulares complementa-se com
uma ou duas passagens de LASER com spot 6 mm, tempo de pulso de 15 a 20 mseg e
fluência de 70-90 Joules/cm2

. Outra opção realizada com frequência em outros serviços
seria iniciar com LASER na mesma configuração acima complementando-se com
aplicação isolada de Glicose 75% sob resfriamento (CrioLaser e CrioEscleroterapia –
CLACS).
Em nossa experiência com mais de 40 casos, nunca tivemos nenhuma úlcera ou necrose
e nenhuma complicação maior ou menor, geralmente resolvendo o caso com uma a duas
sessões.
Cabe salientar atenção especial à técnica da injeção do medicamento nas veias reticulares,
sendo recomendado injeção lenta, sem pressão, agulha 30 G x 1⁄2 com volume suficiente
para preencher o vaso. Não é indicado e nem necessário injeção de grandes volumes de
solução esclerosante.
Para o tratamento das telangiectasias do colo e mama a abordagem deve ser criteriosa
tendo em vista que as causas são variadas. No colo, predominam as telangiectasias
provocadas pela ação do sol, podendo ou não haver poiquilodermia, melanoses, efélides
ou ceratoses associadas. São telangiectasias de fino calibre onde predomina a
oxihemoglobina. Sempre buscamos inicialmente a presença de veias reticulares
nutridoras, seja no visual ou com auxílio de fleboscópio ou outro equipamento de
realidade aumentada de infravermelho. Estas veias devem ser tratadas inicialmente com
escleroterapia liquida associada ao laser para depois iniciar tratamento das
telangiectasias. Quando utilizamos o LASER Nd:YAG 1064 nm para as telangiectasias
recomendamos spot de 3 mm, tempo de pulso de 15 mseg e fluência alta de 175 a 300
Joules/cm2

, considerando-se o fino calibre e menor quantidade de cromóforo nestes

vasos.
Nas figuras 20 a 22 apresentamos um caso de veias reticulares do colo associadas a
poiquilodermia e grande quantidade de microtelangiectasias. Iniciamos o tratamento com
escleroterapia ampliada (líquida associando Glicose, polidocanol e Lidocaína já
mencionada acima) e Laser Nd:YAG 1064 nm spot 6 mm, tempo de pulso de 15 mseg e

fluência de 80 Joules/cm2 para as reticulares. Em seguida iniciamos uma varredura
minuciosa das telangiectasias com spot 3 mm, tempo de pulso de 15 mseg e fluência de
250 Joules/cm2

. O desaparecimento das veias e dos vasos é visível já na primeira sessão.
Nas figuras 23 e 24 salientamos a presença de veias reticulares associadas às
telangiectasias.

VEIAS DAS MÃOS, ANTEBRAÇOS E BRAÇOS
As veias das mãos podem se tornar inestéticas quando adquirem aspecto bem calibroso,
desproporcional às estruturas do dorso da mão. Temos recebido 3 categorias distintas de
pacientes se queixando de veias calibrosas na mão, antebraço e braço. Primeiro pessoas
que tem veias vicariantes naturais, sendo a mais comum a tributária dorsal da veia cefálica
no antebraço, seguindo da veia mediana do antebraço e veia cefálica “fora do
compartimento” no braço. Segundo, pacientes idosas que sofreram atrofia da pele,
subcutâneo e musculatura do dorso da mão, deixando as veias mais visíveis e com aspecto
mais dilatado. Terceiro, pacientes que realizam intensas atividades físicas buscando
hipertrofia muscular onde as veias acompanham este movimento tornando-se mais
calibrosas.
Na primeira categoria, deparamos com veias naturalmente calibrosas em pessoas jovens,
ou seja, onde todas as estruturas adjacentes (pele, subcutâneo e músculos) são normais
(figura 25). Salientamos aqui a grande importância no esclarecimento do paciente de que
somente vamos eliminar as veias vicariantes preservando as veias cefálica e basílica,
imprescindíveis para infusão de medicamentos, coleta de sangue e reservatório para uma
provável fístula arteriovenosa (figura 26). Nestes casos, temos experiência no tratamento
com Laser endovenoso. As veias são marcadas com pontos com caneta dermográfica
(figura 27). O membro é mantido sob garroteamento forçando a dilatação e facilitando a
punção das veias que é realizada sob anestesia local com ou sem sedação (preferimos com
sedação). Cada veia deve ser puncionada separadamente, sendo recomendado cateter
venoso 16 G. Após punção de todas as veias a serem tratadas iniciamos a infiltração de
solução tumescente anestésica (Soro fisiológico 470 ml, Lidocaína 2% com vaso 20 ml e
bicarbonato de sódio 8,4% 10 ml). Utilizamos Laser 1470 nm, fibra ótica radial de 400
micra com energia de 3 watts e LEED de 30 Joules/cm (figura 28). Necessário
monitoramento com ultrassom e palpação evitando-se contato e aquecimento da pele pela
fibra ótica. Até esta publicação realizamos tratamento de 14 pacientes, 18 mãos, 3 braços

e 5 antebraços com resolução de todas as veias tratadas sem complicações. O maior risco
é a queimadura de pele, sendo fundamental a anestesia tumescente.
Shamma AR, Guy RJ18 realizaram tratamento em 54 pacientes, 28 mãos, utilizando Laser
980 nm e fibras “bare tip”de 600 micra, anestesia local tumescente em ambulatório. Os
resultados foram satisfatórios e tiveram um caso de queimadura de pele.
Nas figuras 29 a 31 mostramos o resultado após 60 dias em veias no dorso da mão. E nas
figuras 32 e 33 mostramos o resultado após 60 dias em veia cefálica acessória (fora do
compartimento).
Outra situação frequente na clínica são pacientes idosas onde a atrofia da pele, subcutâneo
e musculatura deixam as veias mais visíveis e com aspecto mais calibroso. O aspecto de
envelhecimento se acentua quando se associam lesões provenientes da exposição solar
como rítides e melanoses. Nesses casos Fabi SG, Goldman MP19 e Butterwick K, Sadick
N20 recomendam um tratamento combinado associando-se o rejuvenescimento da pele
com agentes despigmentantes, Laser e LIP para as melanoses, Lasers ablativos para as
rítides e preenchimentos que podem ser realizados com acido hialurônico, hidroxiapatita
de cálcio ou até mesmo enxerto de gordura. Muitas vezes, estes procedimentos são
suficientes para melhorar o aspecto das mãos sem a necessidade de remoção das veias.
Caso persista a insatisfação com as veias abauladas, Butterwick K, Sadick N20 e Lim A,
Mulcahy A21 e Tremaine AM et al22 relatam experiência com escleroterapia com espuma
de polidocanol 1% e STS (0,25% a 1%) com excelentes resultados. Alguns obtiveram
resolução de 100% das veias em uma sessão e outros com duas sessões. Enfaixamento,
compressão extrínseca das veias e uso de luvas elásticas são citados como auxílio na
otimização do resultado. Shamma AR, Guy RJ18 relata sua experiência com Laser
endovenoso.
A terceira e última situação são mulheres que se exercitam buscando hipertrofia muscular
podendo ou não fazer uso de anabolizantes e doses mais altas de testosterona. Nestes
casos, nossa preferência é a orientação e indicamos o Laser endovenoso em casos restritos
quando as veias são excessivamente abauladas.

Referências

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